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O Centro de Integridade Pública inaugura hoje, 11 de Agosto de
2008 (marcando esta data trágica em que o economista Siba Siba
Macuacua foi assassinado em 2001) um novo espaço no seu website
(www.cip.org.mz), destinado a receber denúncias de corrupção
e outras práticas desviantes que os cidadãos testemunham
nos serviços públicos e privados. Trata-se de um canal criado
para servir de ponte entre os cidadãos e as autoridades judiciais.
A Estratégia Anti-Corrupção (EAC) lançada
pelo Governo em 2006 tem como um dos pilares a reacção judicial
contra as práticas de corrupção. Em muitos contextos,
essa reacção judicial tem como uma das principais fontes
as denúncias que os cidadãos fazem junto das autoridades.
Em Moçambique não está ainda documentada como é que
as autoridades, nomeadamente o Gabinete Central de Combate à Corrupção
(GCCC), interagem com os cidadãos. Desde que esta entidade foi
criada, nunca houve uma forma estruturada e permanente de comunicação
sobre que canais os cidadãos podem usar para fazerem chegar àquela
entidade elementos, indícios, suspeitas sobre práticas de
corrupção. Uma tentativa de interligação entre
o público e o CGGG foi levada a cabo pela Ética Moçambique;
esta organização recolhia denúncias por todo o país
e canalizava-as ao GCCC. Desconhece-se, no entanto, o impacto desse trabalho
mas basta olhar para a performance totalmente improdutiva do CGGG para
concluirmos que o esforço da Ética foi totalmente em vão.
O CIP retoma, através deste canal, essa abordagem de facilitação. É nossa
intenção receber as informações, investigá-las
preliminarmente e canalizá-las ao GCCC. Sabemos que o ambiente
(político e legal) para que os cidadãos façam denúncias
não é favorável, mas achamos que com a nossa iniciativa
estaremos a criar um incentivo positivo, sobretudo porque existe ainda
um quadro de desengajamento geral nesta matéria cuja causa reside
na fraca resposta do Estado em relação às práticas
desviantes que lhe são comunicadas e que são divulgadas
pela comunicação social. Uma última, mas fundamental,
informação: os dados que recebermos vão ser tratados
com o maior sigilo, protegendo religiosamente o anonimato e só canalizaremos
ao GCCC as informações sobre as quais, depois de previamente
verificadas, acharmos que têm alguma pista sólida e comprovado
que não se trata de denúncia por má fé.
O Centro de Integridade Pública
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